sábado, 28 de novembro de 2009

ÁGUIA ENTRE GALINHAS

Certa vez, um filhote de águia caiu do ninho. Um camponês que passava por ali o levou para casa e colocou-o junto com as galinhas.
Aos poucos, a águia foi adquirindo os mesmos hábitos das galinhas: aprendeu a ciscar, a comer minhoca, milho, inseto, a dormir nos poleiros do galinheiro. Não se sabe se cacarejava como as galinhas, mas o próprio dono já estava convencido de que a águia agora era como uma galinha.
Um dia, chegou ali um naturalista, isto é, alguém que conhece profundamente a vida das aves, dos animais e das plantas. Logo que viu a águia entre as galinhas, disse:
_ É uma águia, como se criou aqui?
O camponês repondeu que aquela ave não era mais uma águia, era uma galinha, pois fazia tudo o que uma galinha faz. Mas o naturalista insistiu que se tratava de uma legítima águia:
_ Ela nasceu para voar nas alturas, olhar a terra e a natureza dos picos das montanhas. Seu destino é voar, planar no céu e não ciscar como as galinhas!
Mas o camponês, talvez com receio de que lhe fossem tirar sua ave, manteve sua opinião.
Fizeram então um teste. Levaram a ave para o alto de uma rocha e o naturalista suspendeu-a com os braços, levantou-lhe o pescoço e ordenou a ela que voasse.
_ Voa, águia, voa! - Mas a águia olhou para cima, olhou para baixo, e não voou.
Outro dia, o naturalista voltou e propôs uma nova tentativa. Mais uma vez, a águia olhou para cima, olhou para baixo e nada de voar.
Tempos depois, o naturalista apareceu para uma nova prova. O camponês já estava perdendo a paciência com ele. Mas acabou concordando em fazer a tentativa pela terceira e última vez.
Levaram a águia para o alto da rocha. O naturalista estendeu bem os braços, levantou a cabeça da águia e falou com convicção: Voa águia, voa!
No momento, algumas águias planavam sobre o vale verde. O Sol lançava seus raios, que coloriam o ar de fios de ouro. A águia olhou para o sol, observou as outras águias, firmou-se nas mãos do naturalista, levantou o pescoço, tomou impulso e voou para as alturas.


UMA METÁFORA
A história que foi resumida é utilizda como uma metáfora da existência humana. Metáfora é uma maneira especial de expressar uma idéia, um pensamento, uma verdade.
Em toda metáfora, há uma transferência de significado. Toma-se emprestado o significado de uma palavra, expressão ou até de uma história para se aplicar em outro contexto. Quando se diz que uma pessoa é uma mãe, por exemplo, está-se transferindo para essa pessoa as qualidades das mães.
Vamos, pois, tomar a história da águia-galinha como uma metáfora da condição humana, transferindo os modos de vida dessas aves para nossa existência. assim, a condição-galinha é representada pelos atos rotineiros do dia-a-dia: comer, beber, cuidar do corpo, comprar, pagar contas... E a condição-águia é representada pela nossa vocação para a rte, para a beleza moral, para o amor, para Deus.
Não nascemos só para cuidar de comida, roupa e aquisição de bens, etc. Também nascemos para contemplar o Sol do alto das montanhas e voar livremente em direção ao infinito.
Não se trata de subestimar a condição-galinha, muito menos a galinha como ave que no reino animal cumpre certamente função tão importante quanto a águia. A metáfora serve para nos lembrar de que as duas condições são essenciais para a realização humana.

(Texto retirado do livro: De mãos dadas - 8ª série)


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